Fonoaudióloga do Prontobaby esclarece dúvidas relacionadas à fala infantil Os pais geralmente aguardam com expectativa as primeiras palavras dos filhos. Esse momento, entretanto, pode vir acompanhado de diversas dúvidas, tais como: Será que meu filho já deveria estar falando? A dificuldade que ele tem de formar frases é natural na sua idade? Como posso ajudá-lo nesse processo? A fonoaudióloga Mariana Uzeda, do Prontobaby - Hospital da Criança, explica que o meio em que a criança vive tem papel fundamental no desenvolvimento mais rápido da fala e na ampliação do vocabulário. A fonoaudióloga esclarece que o balbucio é o início da produção de som. Por volta de três meses, o bebê começa a emitir sons sem sentido. “ As primeiras palavras começam a ser pronunciadas por volta de 10 meses. Com 1 ano e 6 meses, os pequenos tendem a falar de 10 a 20 palavras com significado. Aos 2 anos, a criança já possui um vocabulário mais amplo e, aos 3 anos, já usa palavras que, em sua maioria, são entendidas pelos adultos. Nessa idade, ela já produz sentenças completas, usando a linguagem para expressar sentimentos e desejos”, observa Mariana. Aos 4 anos, a criança já tem capacidade de se expressar adequadamente. Converse com seu filho Existem muitas maneiras de os pais contribuírem para o desenvolvimento da fala de seus filhos. “Eles devem conversar sempre e ficar atentos a todas as representações, mesmo pouco compreendidas, facilitando a transformação de gestos em palavras ”, sugere Mariana. A fonoaudióloga do Prontobaby dá uma dica: “Sempre que a criança estiver com fome, a mãe pode fazer a mesma pergunta:´Quer comer?`. Com o passar dos dias, a criança, quando faminta, vai tentar articular uma palavra ou um som semelhante àquele que vem ouvindo”. Também é válido promover atividades que incentivem a comunicação oral, como contar histórias, cantar, representar, entre outras. Adultos são referência em aquisição de linguagem na infância. Por isso é importante que eles procurem falar corretamente e evitar o uso excessivo de diminutivos. “Essa infantilização pode alterar o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. Dessa forma, um garoto de 4 anos pode apresentar vocabulário de um menino de 2 anos”, adverte a fonoaudióloga. Sinais de alerta Segundo Mariana, crianças podem apresentar distúrbios na fala devido a vários fatores, como dificuldades de ouvir _ o que pode estar relacionado a um simples acúmulo de cera no ouvido até uma deficiência auditiva grave _ , problemas psicossociais, como depressão, e neurológicos, como o autismo. Para detectar problemas na audição, o teste da orelhinha, que permite o diagnóstico precoce da perda auditiva, é fundamental. “ Ele pode ser feito no segundo ou no terceiro dia de vida do bebê. É um exame indolor, no qual um fone acoplado a um computador emite sons de fraca intensidade e recolhe as respostas que a orelha interna do bebê produz”, explica Mariana, que é pós-graduada em Fonoaudiologia Hospitalar e em Educação e Reeducação Psicomotora . Outro exame importante para avaliar a audição, de acordo com a fonoaudióloga do Prontobaby, é a audiometria. Segundo ela, a identificação precoce de qualquer alteração auditiva é muito importante, especialmente nos primeiros três anos de vida. “Infelizmente, os problemas auditivos nessa faixa etária dificilmente são detectados, principalmente quando não há uma deficiência auditiva considerável. No período de alfabetização é muito importante que a criança seja submetida a uma audiometria. Quanto mais cedo uma alteração for diagnosticada, mais facilmente ela poderá ser corrigida”, afirma a especialista. Para Mariana, os pais devem procurar ajuda de um especialista quando notarem determinados comportamentos. “Quando a criança não se assusta e nem mexe os olhos com o barulho, não sorri, nem produz sons e só aponta ou gesticula para pedir alguma coisa, temos aí alguns sinais de alerta. Os pais também devem ficar atentos quando o filho, repetidamente, apresenta na fala ou na escrita trocas, omissões, substituições ou distorções”, orienta a fonoaudióloga do Prontobaby. |